Um bocadito para lá das aparências
Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
O Desenvolvimento Cognitivo Segundo Vigostki - 11

3. LINGUAGEM, FORMAÇÃO DE CONCEITOS E GÉNESE DO PENSAMENTO


     Relativamente ao estudo da génese dos conceitos na infância, Vigostki critica a tradição – tradicionalmente, tendeu-se a dar relevância ao estudo dos conceitos já na sua fase de consumação. Deste modo, ao invés de promover a investigação dos meios e do processo, evolução e transformação por fases de desenvolvimento, tendeu-se para a avaliação dos conceitos já desenvolvidos, ou seja, para a análise não dos processos em si, mas do nível dos conhecimentos já adquiridos pelos sujeitos da experiência. O que Vigostki nos propõe será então o estudo do percurso da formação dos conceitos na infância e acima de tudo, o papel que a linguagem e a sua aquisição ocupa nesse processo.


     Vigostki, toma por ponto de partida os estudos de Ach e Rimat, a partir dos quais critica as tendências tradicionais, que defendem a concepção de que a formação de conceitos se baseia em conexões associativas, apoiadas pela perseverança. Assim, o desenvolvimento dos conceitos não poderá ser explicado com base numa simples associação de palavras a objectos concretos, posteriormente cimentada pelos mecanismos da memorização – o processo de formação de conceitos dependerá antes de mais nada do surgimento de um problema que levará à formação de novas possibilidades (a tendência determinante). Deste modo, a formação de conceitos será um processo criativo, e não um processo mecânico e passivo. Segundo Vigostki esta solução não é ainda suficientemente convincente, pois não especifica o que faz o pensamento infantil diferir do pensamento adulto – estaremos ainda no registo da intencionalidade. Para superar as ambiguidades e as lacunas presentes nos modelos descritos, ter-se-ão que considerar outros factores ainda não examinados pelos investigadores.


     Com Usnadze é introduzido no estudo da formação dos conceitos uma nova variável – a relevância que a comunicação com os adultos tem para o desenvolvimento inicial das competências linguísticas. Embora a criança ainda não esteja apta a raciocinar por conceitos puros, ou seja, por ideação abstracta, o contacto comunicacional com os adultos irá criar as condições para que se inicie o seu desenvolvimento. A criança começa desde cedo a desenvolver equivalentes funcionais de conceitos, embora funcionalmente o seu intelecto não funcione da mesma forma que o dos adultos. De realçar a importância que as palavras e os signos têm no processo da formação dos conceitos. Assim, aprender a pensar é antes de mais aprender a falar, e a comunicação sócio-relacional é o factor indispensável para tornar possível tal evento. O percurso da evolução do pensamento é o percurso da gradual abstracção por generalização que o domínio da linguagem irá sucessivamente possibilitando – a palavra será fundamental para o processo do desenvolvimento cognitivo, factor negligenciado por Ach.



publicado por Transbordices às 18:22
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