Um bocadito para lá das aparências
Sábado, 28 de Julho de 2007
O Desenvolvimento Cognitivo Segundo Vigotski - 4

( ...) Enquadramento Geral - 1.1 Breve Incursão Pela História da Psicologia (Continuação...)


      A psicologia só alcançou o estatuto de ciência autónoma em meados do séc XIX, mas o estudo dos estados de consciência e suas condições de possibilidade foi sempre uma constante ao longo da história do conhecimento. Podemos até dizer que uma das grandes áreas de investigação da filosofia terá precisamente incidido sobre o conhecimento e suas faculdades. No entanto, a especificidade que demarca a psicologia da filosofia na investigação dos estados da consciência humana, reside precisamente nas condições práticas do seu estudo – a psicologia terá desde cedo tendido para uma aproximação empírica ao seu objecto, aliando desde logo as emergentes metodologias científicas na procura do esclarecimento das suas questões. Por outras palavras, a psicologia pretendeu desde muito cedo constituir-se à imagem das ciências exactas, adoptando a metodologia experimentalista, e procurando trazer para o estudo dos estados de consciência toda a parafernália e aparato dos experimentos laboratoriais. Os primeiros momentos das ciências psicológicas caracterizam-se assim pelas emergentes tendências positivistas e empiristas herdadas a partir do racionalismo Cartesiano.

      Estas tendências iniciais, que visavam o estabelecimento de leis lineares e universais do comportamento humano, claramente na linha da causalidade psico-física herdada a partir do Cartesianismo, viriam a ser superadas posteriormente - primeiro pelas correntes comportamentalistas e depois pelas correntes cognotivistas. Nestas duas últimas, de realçar a importância que os factores extrínsecos assumem no estudo da formação da psique humana. A educação passa a ser assim um factor essencial no desenvolvimento e formação, e a psicologia tem o mérito de ter introduzido a pertinência da importância das relações sócio-culturais na formação de adultos saudáveis. E na realidade, não podemos de forma alguma negligenciar a importância dos contornos sociais e humanos no amadurecimento das capacidades mentais - até mesmo Einstein, considerando que a sua genialidade seria hipoteticamente inata, jamais teria desenvolvido a teoria da relatividade, se a própria vida não lhe tivesse proporcionado determinadas condições. Quantos Einstein, não se passeiam ou terão passeado pelos campos provincianos, de pá e enxada na mão, sem nunca terem frequentado uma escola ou tomado contacto com o mundo da ciência e da erudição? Deste modo, os factores sociais e extrínsecos acabam por se tornar preponderantes não só para a formação geral dos homens, mas também para o desenvolvimento da sua inteligência, superando as condições inatas e intrínsecas que os indivíduos possam já transportar à nascença. Sem o meio apropriado, tornar-se-á muito ténue a linha que separa a genialidade da loucura.



publicado por Transbordices às 16:41
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Julho 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
16
17
18

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


posts recentes

Frango???

A Volta

O Vidrão

A Culpa?

A convicção

No princípio

Melhor que isto...

...

Será que agora vai?

Cá estamos

Estou Armado ao Pingarelh...

Do Mito à Natureza

A Vontade do Saber

O que é a Ontologia?

...

A Multa

A Marca

O Tempo visto por quem di...

Limites

...

arquivos

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

blogs SAPO
subscrever feeds