Um bocadito para lá das aparências
Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
Violência Doméstica

A violência doméstica é um tema que tem andado na berlinda. Ainda na semana passada foi alvo de uma campanha de angariação de fundos num programa televisivo de grandes audiências. Apercebi-me assim muito por alto disso só porque o zapping me levou a esse programa por breves instantes. Dentre 'os' telefonistas que atendiam chamadas só um homem, na proporção de 20/1, talvez. O que me levou a pensar que essa seria uma luta exclusiva (ou quase) das mulheres – sim de algumas crianças e velhos também, não me estou a esquecer.


A violência prática está sempre no lado da força. Por alguma razão nunca vi um homem queixar-se de violência doméstica, embora creia que possam existir alguns casos. Também nunca ouvi falar em nenhum caso de violação masculina por uma mulher, nem sequer de assédio sexual (isso queríamos nós e decerto não pensaríamos em formalizar queixa). De facto, só há uma forma de minorar estes casos de abuso – através da contenção dos homens relativamente ao exercício da sua força para com as mulheres. Em termos mais gerais, o abuso de força só pode ser contido pelos que detêm em si a força, quer seja através de leis impostas (sempre falíveis) ou meditação interior (actos de consciência sentidos).


Entre os homens por vezes surgem quezílias. Nestas, o respeito e a contenção tende a imperar, pois se descamba, se as palavras insultuosas não forem bem medidas, o resultado imediato é bem conhecido – porrada, troca de argumentos com os punhos “lá fora”. Normalmente a passagem falaciosa da argumentação legítima à argumentação de arena não se faz esperar muito, para isso basta um insulto, uma observação mais deslocada do contexto. Será que em muitos dos casos de violência doméstica a mulher é tão inocente como isso? Quando os nervos aquecem e a conversa descamba para a violência são os mais fortes que batem e prevalecem, são os mais fracos que ficam com as marcas e nódoas negras para exibir. Mas realmente admito que cabe ao homem não se deixar alterar para lá do razoável.


Sim sei que existem também os abusos de poder. Quanto a esses teríamos que optar por outra abordagem, invocar argumentos diferentes... No entanto, também esses só são possíveis quando se detém a força...



publicado por Transbordices às 16:33
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