Um bocadito para lá das aparências
Terça-feira, 5 de Junho de 2007
Um Falso Problema?

E lá vai a opinião pública ao sabor da onda, é o sopro turbínico dos mass média que ulula. O interesse público surge a golfadas de ar bem ritmadas, e eu, por mais que tente evitar, lá vou arrastado no turbilhão. Ouço e releio vezes sem conta opiniões repetidas, discursos plagiados, que se arrastam longamente, sem resolução aparente e carentes de novidade. Tem sido assim nos últimos tempos, por toda a parte, televisão, internet, jornais, e outros que tais. Ainda ontem me deparei com resquícios da longa jornada da discussão pública sobre o aborto, opiniões repisadas e ressuscitadas que me causaram algum enjoo, retardatários que pensam que ainda nem tudo está dito acerca do assunto, e como pecam pelo excesso de verbosidade. Eis que surge agora um tema novo, a Ota, o aeroporto, as discussões intermináveis sobre a melhor localização, como se fosse esse o fulcro do problema e não as grossas fatias de capital e lucro localizados que o projecto parece envolver. Na verdade, qual a legitimidade para trazer a debate público um tema tão técnico como é o da construção dum aeroporto? Não deveria esse debate ficar a cargo dos especialistas? Sem grandes piruetas nem espalhafate?


E começam a surgir por toda a parte as opiniões de arrasto, avolumando-se diariamente, o tamanho dos textos engrossando à medida que o inconsciente popular se embriaga de argumentos, levados no arrastão discreto dos opinion maker - insidiosamente modelando consciências. Faz-me sentir cansado, a discussão empertigada de temas que todos discutem, repisar o óbvio em discursos longos que levam à exaustão pela repetição. Será opinião que se está a formar, ou será que se estão a formar devoradores de opinião? Quem me explica a diferença?



publicado por Transbordices às 00:56
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10 comentários:
De Zé da Burra O Alentejano a 5 de Junho de 2007 às 15:40
O debate sobre o aeroporto na Ota (ou não nesse local) deve ficar a cargo dos especialistas!

Pergunto, que especialistas: Engenheiros construção Civil, em Aeronáutica, Economistas, Ecologistas, Especialistas em Turismo, em Ordenamento do Território, ou outros? Que opiniões devem prevalecer? Haverá alguém que domine em simultâneo todas aquelas áreas altamente especializadas a ponderar?

Não! É óbvio que todas aqueles especialidades têm algo a vêr com o assunto, mas a decisão será sempre política, suportada por esta ou aquela razão que mais convenha referir.


De Transbordices a 5 de Junho de 2007 às 15:54
Neste caso, respondendo à sua pergunta, como as opiniões e os pontos de vista divergem para lá do exequível, só vejo uma solução: - Os especialistas que estão directamente ligados ao projecto por estarem destacados para essas funções. Foram eleitos democraticamente, agora espera-se que cumpram as funções para que foram destacados. Mal ou bem depende muito do ponto de vista, mas foi o povo que escolheu, e nestas coisas, nunca vi a opinião da oposição ser favorável.


De Zé da Burra o Alentejano a 5 de Junho de 2007 às 16:34
Têm legitimidade para isso, não o nego!
Porém, dada a polémica já levantada sobre o assunto, até pelo próprio Presidente da República, não ficaria mal se a localização da Ota fosse repensada.


De Transbordices a 5 de Junho de 2007 às 17:15
Afirmativo, errar é humano, e se a situação assim o justificar pela legitimidade da objecção, o governo tem o dever incontestável de reconsiderar. No entanto, convém também não descurar as origens da polémica, possíveis jogos de oposição ou até mesmo o engrossar de agendas políticas...

Agora não se pode é comprometer a exequíbilidade dos projectos políticos por dá cá aquela palha, parar o país só porque se levantam polémicas e questões menores que só atrapalham e embaraçam. Por isso torno a perguntar - falso problema acirrado pelo poder manipulador dos media ou não? A minha tendência inclina-se para a afirmativa


De Zé da Burra O Alentejano a 6 de Junho de 2007 às 10:46
É verdade que muitas das oposições a decisões governamentais (presentes e passados) são apenas um meio de luta para chamar a si os desiludidos e regressar ao poder. Depois disso, poderão fazer que lhes convir e, frequentemente, exactamente o que antes contestavam.

Mas gostaria, pelo menos, de ver respondida pelos tais técnicos cada um dos itens que julgo serem vantagens do Montijo relativamente à Ota.

1.º) Já existe um segundo aeroporto de que pouco se fala: o do Montijo, actualmente uma base aérea que poderia ser deslocada para Beja, onde existe uma outra com óptimas condições e que nos foi deixada há alguns anos pelos alemães;
2.º) Lisboa ficaria assim com dois aeroportos civis, à imagem de muitas outras cidades do mundo.
3.º) Julgo que a questão do novo aeroporto deve ser decidida tendo em atenção a decisão relativa ao TGV;
4.º) Só vejo a necessidade de uma ligação a Madrid, que é e será sempre a placa aérea giratória da península Ibérica, quer nos agrade ou não;
5.º) Essa ligação far-se-ia através do melhoramento da linha já existente entre o Barreiro e Caia;
6.º) O terminal do TGV poderia ficar no Montijo, ficando junto ao novo aeroporto de Lisboa;
7.º) Em vez de ser o TGV a atravessar o rio Tejo e chegar à gare do Oriente, seria o metropolitano que teria que chegar ao Montijo, à Gare do TGV e ao novo aeroporto;
8.º) Com a extensão do metro de Lisboa à outra margem, os passageiros do novo aeroporto e do TGV seriam distribuidos por toda a Lisboa, tal como muitos dos habitantes do Montijo e do Barreiro, retirando milhares de automóveis de Lisboa;
9,º) A margem sul, por ser uma zona plana, é a zona natural de expansão da cidade de Lisboa, limitada que está a Norte por uma cadeira de serras;;
9.º) .A OTA é mais longe e deve ser pior para o turismo da capital.

Quais são os inconvenientes, se os há?


De Transbordices a 6 de Junho de 2007 às 23:21
É um assunto que não aprofundei nem procurei esclarecer por não interferir directamente com o meu quotidiano, mas gostaria que apontasse então os inconvenientes, visto parecer ser um tema que lhe interessa e mostra conhecer bem os argumentos e os prós e contras. Sempre posso ficar mais esclarecido Cumprimentos...


De Zé da Burra o Alentejano a 8 de Junho de 2007 às 14:51
Factos contra:
1) O Montijo ficar mais longe de Fátima, que é um local de peregrinação por excelência;
2) O poder fazer alguma concorrência com o Aeroporto de Madrid, nomeadamente no que respeita à zona Fronteiriça Espanhola, pois o Montijo fica a 200 Km de Badajoz, enquanto que Madrid está a mais de 300 Km, sendo Barajas ainda do lado oposto da cidade. Ainda por cima com o TGV ligando directamente Badajoz ao nosso aeroporto...
3) O ter-se que deslocar as bases aéreas de Lisboa, na Portela, e do Montijo para Beja. Lisboa ficaria assim desprotegida de apoio militar aéreo, porque um F16 demora uns bons 8 minutos a chegar de Beja a Lisboa em caso de necessidade. Já preparar o piloto poderá demorar...


De Transbordices a 8 de Junho de 2007 às 15:00
Muito bem, estou esclarecido xD. Essa de Fátima foi decisiva, agora já não tenho dúvidas...


De so12 a 5 de Junho de 2007 às 20:52
Até queria comentar, mas no meio de tanta especialidade, passou-me a vontade!
Aos técnicos o que é técnico...


De Transbordices a 5 de Junho de 2007 às 22:45
Bem-vinda, pensava que já se tinha esquecido de mim... Fiquei muito curioso com o comentário que calou... :\
Abraço...


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