Um bocadito para lá das aparências
Sábado, 16 de Fevereiro de 2008
Do Mito à Natureza

Que o mundo tem uma ordem mais alta e que a verdade se esconde por trás das aparências é uma evidência que se manifestou desde muito cedo na interpretação dos seus mistérios. Já no homem arcaico assim era. Homero e hesíodo assim o justificam. O que é a mitologia clássica senão uma interpretação ingénua dessa ordem transcendente que se pressente mas não se nos apresenta de forma clara? A mitologia Grega apresenta-se como uma explicação inexorável para os mistérios do mundo. Afinal de contas, a diferença entre a mitologia clássica e a ciência baseia-se nos mesmos pressupostos que a diferença entre a religião e a ciência – Enquanto a ciência assume que a essência do mistério está ao alcance da superação, a religião não. É assim que toda a parafernália dos deuses Gregos tem a suprema palavra na decisão dos destinos dos homens e que estes pouco ou nada podem fazer para alterar essa ordem predeterminada dos acontecimentos. Constata-se que os seres humanos são meros títeres nos jogos dos Deuses. Também toda a ordem natural, aquilo a que podemos designar por mundo físico, tem a sua origem e fundamentação num Deus. Salvo Raras ocasiões, como no mito de Prometeu, o homem não tem o poder para conciliar o seu próprio destino. Prometeu foi castigado por ter ousado roubar aos Deuses o segredo do fogo. Prometeu ousou romper a ordem natural ao superar uma actividade reservada aos Deuses. E os Deuses não poderiam admitir que o homem aspirasse à divindade. O inexorável destino que traça de modo inflexível a vida está também patente nas tragédias Gregas. No entanto, esta inexorabilidade tendia para a mitigação. O homem aspirava às rédeas do seu próprio destino. E assim, algures nos anais dos tempos, a leitura e interpretação dos mistérios do mundo iria sofrer uma inflexão que perduraria na história do conhecimento. A passagem da mitologia para a filosofia da natureza ditaria uma inflexão que dotaria os homens de um poder inédito até então. Algures no primeiro milénio antes do nascimento de Cristo, o homem assumiria um papel mais activo no seio da natureza. Agora o homem não era mais um simples joguete da natureza. A natureza que se cuidasse porque o homem assumira o projecto de desvendar os seus segredos.



publicado por Transbordices às 16:39
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