Um bocadito para lá das aparências
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
O que é a Ontologia?

ONTOLOGIA. Este termo foi usado pela primeira vez no sec. XVIII por Wolff. No entanto a formulação dos problemas a que procura dar respostas é bem mais antiga, as suas referências perdem-se nos confins dos tempos. A ontologia estuda as cambiantes do “ser”. Neste último termo “cabe o céu e a terra”, embora à partida possa parecer bem mais restrito. O “Ser” envolve toda uma panóplia de variáveis que nos escapam aos primeiros relances. Para compreender isto basta pensar a medida imensa em que a existência duma pedra difere da existência dum ser vivo. Depois há que considerar as diferenças no “ser” nos próprios seres vivos.  É que a consciência da ideia pertence também ao domínio do “ser”. Que características podemos associar ao “ser” das ideias? As ideias “são”, disso não há a menor dúvida. No entanto, à semelhança da pura energia, as ideias não são palpáveis, não pertencem ao concreto material. Da mesma forma que ninguém pode negar as ondas hertzianas, também ninguém poderá negar que as ideias existem, daí terem “ser”. Depois surge o problema ontológico do devir - a mudança. É que para lá da existência singular que caracteriza cada ser na sua particularidade, teremos que contar por sua vez com o englobante. O englobante poder-se-á compreender mais facilmente se tivermos em conta, a título de exemplo, o evolucionismo de Darwin. Não há dúvida que o mundo não é extático, muda constantemente. Mas se pensarmos na causa primeira dessa mudança, na sua força motriz e nos seus motivos, no que lhe subjaz, teremos que nos render às evidências e admitir que estamos perante uma situação limite. Uma situação limite caracteriza-se por dar luz a um problema que apenas se pode conceber. Há muitas situações limite, sendo que a própria ciência não pode ter a arrogância de negar os problemas que transcendem o método experimental e a esfera do concreto. A própria ciência contemporânea não pode passar sem a fase especulativa. Todas as conquistas do conhecimento nascem na imaginação.

Esta é uma muito insignificante amostra das variáveis que subjazem à imensa problemática do “ser”. Até que ponto Augusto Comte não terá exagerado quando sugeriu que o conhecimento havia atingido a fase da sua maturidade com o advento do racionalismo? (…)



publicado por Transbordices às 18:32
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9 comentários:
De so12 a 1 de Fevereiro de 2008 às 21:25
Oh Pleot! Que post este.... vou estudar uma resposta mais filosófica porque isto de ontologias tem mais "éticas! do que parece. No entanto Comte... pois... o experimentalismo...olha, no desenvolvimento do post veio-me à cabeça a Alegoria da Caverna!
O Ser e o Devir... há anos que não pensava nisso, mas prometo que vou pensar e comentar à altura. Esta é apenas uma nota para que vejas que este post não passou despercebido... filósofo?


De Transbordices a 2 de Fevereiro de 2008 às 16:34
ah, filósofo, como se eu soubesse o que isso é. Digamos que se por filósofo se entender uma pessoa que anda sempre de cabeça no ar, a pensar em excentricidades e com um espírito analítico que por vezes se torna incómodo, então sim, sou. Esperemos que por tanto andar com a cabeça virada para o céu não vá práí cair em nenhum buraco... hihihihi. Posso também dizer que os limites da minha memória não me permitem ascender a esse estatuto...


De Bloco Grandola a 2 de Fevereiro de 2008 às 13:18
Historicamente o termo ontologia tem origem no grego “ontos”, ser e “logos”, palavra. É um termo novo na história da filosofia, introduzido originalmente com o objetivo de distinguir o estudo do ser como tal (ou seja do ser humano em sua essência), do estudo dos vários tipos de outros seres das ciências naturais. O termo original é a palavra aristotélica “categoria”, que pode ser usada para classificar e caracterizar alguma coisa.

Continua.... isto vai desenvolver quando eu voltar,,, vai! Até lá...


De Transbordices a 2 de Fevereiro de 2008 às 16:45
sim a objecção moderna à metafisíca que pretendia trazer o estudo do ser para práticas mais empíricas, a refutação ao dogmatismo à boa maneira dos ideais Baconianos?
Volta sempre e que nada te impeça de acrescentar e corrigir os meus singelos arrazoados.


De so12 a 6 de Fevereiro de 2008 às 21:07
Olá.. cabadinha de voltar peço uma pequena trégua ou levas com a minha Abolia Ontológica de novo... heheheh. Eu volto a isto... oh se volto. "dá-me um tempo...."
Beijo


De Transbordices a 6 de Fevereiro de 2008 às 22:17
A abolia de novo não, pelo menos ao estilo copy paste... Eu já li a abolia há bocado
Tenho mais uns arrazoaditos prontos na cabacita, ou noutro sítio qualquer desse tipo... hihihih. Depois de vir do dentista eu passo-os ao papel. A propósito, eu sou daqueles que não vai em carnavais, estive sempre por aqui, sem máscaras


De so12 a 7 de Fevereiro de 2008 às 19:16
Percebi tudo....menos as máscaras...é uma indirecta, ou é directa mesmo? so12, pítia, etc não serão o mesmo que pleot?
Se desejasse que não o soubesses, não to diria... pausa nisto para pensar,ok?


De Transbordices a 8 de Fevereiro de 2008 às 19:27
que cena, eu no meio do desfile pareço um boneco teleguiado, quem olhar para mim nota logo que estou a fazer frete, um autêntico alien carnavalesco. é por isso que não ponho lá os pés. Vou buscar satisfação (parca) a outras actividades. Não sou uma pessoa muito festivaleira
A tua cena de pitia e so12 ser o mesmo que pleot é que não percebo...


De so12 a 8 de Fevereiro de 2008 às 22:50
Percebes.... mas agora estou em pausa...


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