Um bocadito para lá das aparências
Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
O Desenvolvimento Cognitivo Segundo Vigostky - 16
(...) Pensamento por complexos - Continuação...


A. Complexo de Tipo Associativo – Tendência para agrupar os diferentes elementos segundo critérios variáveis e que se alteram com frequência – cor, que depois muda para a forma, ou até mesmo para a organização espacial. Será um esboço de organização que peca por falta de critérios de generalização e de singularidade, a marca característica do pensamento por conceitos - falta de coerência, portanto. Nesta fase, a palavra evolui da mera representação de um objecto, para a designação de um grupo de objectos, que é organizado segundo predicados selectivos, embora ainda dependentes dos factos objectivos concretos e sem os contornos generalistas e homogéneos que caracterizam os conceitos abstractos.


B. Associação por Colecções – Os critérios que no complexo anterior se pautavam pela indiscriminação, tendem agora a adquirir mais unidade. Pode-se dizer, que nesta fase, a criança se baseia no critério da diferenciação de modo a reunir elementos com características similares. Esta operação de recolecção relaciona-se, de certo modo, com a utilidade prática e objectivos que visam determinadas funcionalidades – muito semelhante à organização de um faqueiro, vestuário, de um conjunto de acessórios comuns, etc. – poderíamos opinar que o complexo de colecções é um agrupamento de objectos com base na sua participação na mesma operação prática, na sua cooperação funcional.


C. Complexo em Cadeia – O elemento nuclear inicial que definiu o primeiro critério de escolha perde a sua importância. Neste tipo de complexo, a organização hierárquica está ausente de todo. O critério pode mudar de elemento para elemento, à medida que a criança os vai reunindo - da cor para a forma, da forma para o revestimento, novamente para a cor mas por aproximação, e assim por diante – uma vez incluído num complexo em cadeia, cada elo é tão importante quanto o primeiro e pode-se tornar o imã para uma série de outros objectos. Esta ausência de hierarquia denota uma característica, que segundo Vigostki, traduz a essência da diferença que distingue o pensamento por complexos do pensamento por conceitos - a fusão do geral com o particular. É que num conceito depara-mo-nos com o estatuto extrínseco do atributo selectivo, que se eleva acima dos seus elementos, muitas vezes segundo qualidades que apenas têm significado quando interpretadas a partir do pensamento abstracto. O complexo em cadeia pode ser definido como um amálgama psíquico que ainda não denota capacidades de abstracção e depende dos atributos das qualidades objectivas .

D. Complexo Difuso – Caracterizado por não ter limites face às capacidades imaginativas da criança, e por se basear em critérios de selecção vagos e difusos. A criança, na procura por elementos de relação, facilmente extrapola, e o mais insignificante pormenor consiste num motivo de inclusão. Neste tipo de complexo, a criança é capaz de transições surpreendentes, e de associações e generalizações espantosas, quando o seu pensamento extrapola os limites do pequeno universo palpável da sua experiência, seguindo o chamamento da sede insaciável que lhe abre perspectivas infinitas por intermédio da aprendizagem dos símbolos e das palavras – o apelo do pensar que toma forma e se expande exponencialmente, o pressentimento da sua vida interior, uma forma de existência mental que pode suster-se por si própria, o seu mundo que tem a particularidade de ser um criador de mundos.



publicado por Transbordices às 18:15
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1 comentário:
De so12 a 10 de Outubro de 2007 às 01:46
Não percebo....com um blog tão "eduquês" como o teu, porque vens ao meu?
Ou será filosófico....? Vou pensar muito, muito, muito.... :)
Beijinho


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